O
ABC DA GENÉTICA
O
QUE É GENÉTICA?
Cientificamente a genética é o estudo da hereditariedade.
Uma parte significante deste estudo tratará de que modo
os traços biológicos são ou não são
passados dos pais para os filhos através do processo reprodutivo.
Desde os primitivos dias da vida familiar, os rebanhos de animais
reconheceram que existiam certos princípios básicos
que governavam a hereditariedade. Embora levaria milhares de anos
para se atingir o nosso atual estado de conhecimento, estes princípios
básicos prematuramente conduziriam a idéia de reprodução
seletiva.
Bandos de animais descobririam que através de uma seleção
cuidadosa dos animais que teriam a permissão para se reproduzirem,
eles poderiam controlar a aparência específica dos
traços físicos e comportamentais dos seus animais.
A genética percorreu um longo caminho desde aquela época.
Agora nós sabemos que as instruções para
todos os traços físicos e comportamentais são
herdadas por cada indivíduo em suas únicas e próprias
versões de um código químico: o DNA.
O QUE É O DNA ?
O ácido desoxirribunucleíco ( DNA ) é a identidade
genética permanente, ou seja, é a "biblioteca"
de referência que determina todo o traço hereditário
de um organismo vivo. Com exceção de irmãos
gêmeos idênticos, cada indivíduo tem o seu
próprio e único código de DNA. Irmãos,
irmãs, pais e filhos, possuem códigos semelhantes,
mas não são os mesmos. Até mesmo as mais
rígidas práticas de procriação sangüínea
produzem diferenças genéticas singulares e inexplicáveis
nos filhos. Além disso, cada célula, do corpo do
animal, contém pelo menos uma cópia desta "biblioteca".
Uma "biblioteca" de referência de DNA não
é tão diferente de uma biblioteca de livros. Da
mesma maneira que uma informação nas bibliotecas
é armazenada em uma seqüência de letras que
formam palavras e livros, a informação na "biblioteca"
de DNA é armazenada em uma seqüência de letras
químicas, que chamamos de nucleotídeos. Estes nucleotídeos
também formam palavras e livros ( ex. genes e "códon"
). Então, quando nós dizemos que cada animal ( ou
pessoa ) tem o seu próprio e singular DNA, o que nós
realmente estamos queremos dizer, é que cada indivíduo
tem a sua própria e singular seqüência de nucleotídeos.
Em contraste com o alfabeto que tem 26 letras, o código
do DNA utiliza apenas 4 letras : adenina ( A ) , timina, ( T ),
guanina, ( G ), e citosina, ( C ). Como isso é possível
? Como que uma seqüência codificada é capaz
de descrever o esboço de tantos singulares indivíduos,
possivelmente escritos, com apenas 4 letras? É evidente
que a capacidade de guardar e transportar informações
da "biblioteca" de DNA deve ser enorme a fim de considerar
todas as individualidades. E de fato o é, pois a capacidade
que a molécula de DNA possui para guardar e transportar
informação codificada, é na verdade enorme,
visto que qualquer um dos 4 nucleotídeos podem ocupar qualquer
posição ao longo da seqüência de DNA;
uma seqüência de apenas 5 letras, pode formar 45 (
ex. 4x4x4x4x4 ), ou então, formar 1.024 palavras únicas.
Uma cadeia de 10 nucleotídeos pode formar 410, ou então
formar 1.048.567 palavras diferentes e assim por diante. Deste
modo, a grande variedade de características herdadas que
nós observamos nos organismos vivos, basicamente, derivam
das diferenças individuais existentes nos nucleotídeos
que ocorrem dentro da própria molécula de DNA.
DNA, GENES E CROMOSSOMOS
Cada traço genético individual é descrito
precisamente em um dos muitos livros armazenados nas prateleiras
da sua "biblioteca" de DNA. As prateleiras sobre as
quais estes livros são colocados são chamadas de
cromossomos. Os livros são chamados de genes, e servem
como unidade básica de herança. Cada gene possui
um conjunto específico de instruções para
a produção de um determinado tipo de proteína.
Isto é uma ação coletiva, ou uma inércia,
destas incontáveis proteínas que determinam uma
característica biológica observável no animal,
ou seja, o fenótipo.
Normalmente cada animal herda dois pares completos de genes, um
conjunto completo de cromossomos de cada um dos pais. Os cães,
por exemplo, possuem 39 pares iguais de cromossomos ( 78 no total
), sobre os quais seus genes são conservados ou mantidos;
39 cromossomos são provenientes de um dos pais, e o par
semelhante a este, com 39, é proveniente da mãe.
Deste modo, para qualquer caracter genético, cada um dos
pais contribuirá com uma versão do gene para aquele
caracter. Essas versões de genes chamadas de alelos, podem
ser idênticas ( por exemplo: os pais poderão contribuir
com alelos para cabelos encaracolados) ou eles poderão
ter alelos diferentes (por exemplo, um dos pais contribuirá
com um alelo para cabelo encaracolado, e o outro contribuirá
com alelo para cabelo liso ). Visto que metade da "biblioteca"
de DNA provém de cada um dos dois pais, os alelos e os
traços que eles produziram nos filhos são todos
herdados destes dois pais. Esse sortimento único de alelos,
coletados dos pais por parte dos filhos, é conhecido como
o seu genótipo. Esse genótipo em combinação
com fatores do meio ambiente, tais como nutrição
e exposição à doenças ou produtos
tóxicos, é o que determina o fenótipo dos
filhos.
ALGUNS CONCEITOS BÁSICOS DE GENÉTICA
Qualquer traço genético observável ou fenótipo,
é afetado por 2 fatores geneticamente separados, mas intimamente
relacionados: quantos genes são responsáveis pelo
fenótipo e para cada um destes genes, quais são
os alelos particulares ou versões de genes que este indivíduo
possui?
Qualquer fenótipo provavelmente se origina das ações
de um único gene ou ações coletivas de vários
genes. Isto ocorre porque alguns traços resultam das ações
de uma única proteína, enquanto que outros traços
são produzidos por várias proteínas diferentes
trabalhando ou agindo em conjunto. Por exemplo, a fibrose cística
em seres humanos é causada pelos efeitos de um único
gene; um alelo em particular, ou uma versão deste gene
que produz um indivíduo normal, enquanto que um alelo alternativo
produzirá a condição de enfermidade. Coloração
na pele humana, por um outro lado, é determinada pela ação
combinada de vários genes diferentes. Para complicar mais
as coisas, a maioria dos genes ( como os responsáveis por
fibrose cística ) tem efeitos fenotípicos múltiplos.
Considerando-se que uma determinada proteína é freqüentemente
utilizada em muitos lugares diferentes no corpo, não é
tão surpreendente que um simples gene possa ter ou produzir
muitos efeitos diferentes na aparência e no comportamento.
O segundo fator genético envolvido na determinação
de fenótipo, tem a ver com o fato de que cada animal possui
duas versões de cada um dos seus genes. Esses alelos podem
ser idênticos, ou eles podem ser diferentes. Se eles forem
idênticos, nós dizemos que o animal é homozigoto
para aquele gen. Se as versões são diferentes, nós
dizemos que o animal é heterozigoto para aquele gene.
É óbvio que se dois alelos são idênticos,
eles poderão apenas produzir o mesmo genótipo. Se
um animal possui dois alelos brancos para o gene que determina
a cor da pelagem , a cor da pelagem do cão será
branca. Se o animal possui dois alelos " pretos " para
este gene, a cor da pelagem do animal será preta. Mas o
que acontecerá se o animal possuir um alelo "branco
"e um "preto " para a cor de pelagem?
A resposta para esta pergunta dependerá de como os efeitos
dos alelos individuais reagem entre si. Será que os efeitos
dos alelos se combinam para dar um fenótipo intermediário?
Ao invés de se ter um animal de pelagem preta ou branca,
você conseguirá um cão de pelagem cinza. Esta
condição é conhecida como "dominância
incompleta". Outra possibilidade provavelmente será
a que alelos atuem separadamente; sendo assim, o animal terá
pelagem preta e branca. Neste caso, diz-se que os alelos são
co-dominantes. Finalmente, o efeito de um alelo provavelmente
poderá ofuscar e mascarar o outro alelo e isto acontece
até certo ponto que você nem mesmo saberá
que o animal possui dois alelos diferentes. Este é o caso
no qual, independente de o animal possuir ou não um alelo
" branco", contanto que ele possua pelo menos um alelo
" preto" , ele terá apenas pelagem preta.
O alelo "preto " mascara completamente a presença
de qualquer alelo " branco " que possa existir. Este
último exemplo é o caso de dominância simples.
Aqui, o alelo "preto " será conhecido como o
alelo dominante, e o alelo "branco" será chamado
de alelo recessivo. Em casos de dominância, homozigotos
recessivos ( brancos/pretos ) são facilmente identificados
- aqui eles tem pelagem branca. Contudo, se o cão tem pelagem
preta, você não pode afirmar apenas olhando para
ele, que ele é homozigoto dominante ( preto/branco ) ou
heterozigoto ( branco/preto ) .
Por que isto é importante? É importante porque se
você cruzar dois animais pretos heterozigotos, as chances
são que 1 em 4 das crias serem brancas. Isto talvez não
represente muita coisa para a sua raça, mas, e se o alelo
recessivo causar uma debilidade serissíma ao invés
de alguns pelos brancos?
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