O cruzamento ou a inseminação
A determinação do momento ótimo para
o cruzamento
Levando em conta a persistência do poder fecundante dos
espermatozóides (aproximadamente 48 horas nas vias genitais
femininas), é possível otimizar as chances de fecundação
sincronizando o encontro de gametas "na sua melhor forma"
para uma fertilidade e uma prolificidade ótimas. O ideal
é que ocorra o cruzamento ou a inseminação
nas 48 horas que se seguem à postura dos ovócitos
para que os óvulos fecundáveis e os espermatozóides
fecundantes sejam na sua maioria capazes de chega ao "local
de encontro" (os ovidutos). Os óvulos permanecem fecundáveis
durante um período de dois dias depois da maturação
(algumas raças parecem até ficar fecundáveis
durante mais de quatro dias) explicando assim as possibilidades
de superfecundação por dois pais diferentes na espécie
canina.
Toda a dificuldade consiste, portanto, em observar, o mais precisamente
possível, os sinais biológicos da ovulação.
Para detectar o período de ovulação numa
cadela no cio, o criador dispõe de varias ferramentas de
precisão variável e complementar.
· O clareamento das perdas vulvares assinala geralmente
o fim do proestro sem ser um sinal fiável da ovulação:
algumas cadelas podem apresentar sangramento até ao final
do estro;
· O cruzamento praticado sistematicamente por doze (12)
dias após as primeiras perdas sangüíneas, em
seguida dobrado dois dias mais tarde, é um cálculo
prático, desde que se observem muito atentamente as primeiras
perdas sangüíneas;
Contudo, esta estimativa permanece imprecisa porque algumas cadelas
(aproximadamente 20%) ovulam fora deste período e ficarão,
portanto, vazias ou irão parir apenas alguns filhotes.
· A aceitação do macho ou do rufião
e a observação do reflexo de desvio lateral da cauda,
também não são característicos da
ovulação. A título de exemplo, já
se viram cadelas permitir o acasalamento a partir do começo
do proestro quando, na verdade, nos casos extremos, ovulam só
trinta dias mais tarde!
Muitas cadelas permitem também, a cópula durante
pseudocios de parto, infecções urinarias, ou quando
secreções de estrógenos por quistos foliculares
se traduzem por ninfomania.
· A medida da resistividade do muco vaginal com a ajuda
de um galvanômetro permite apreciar com bastante precisão
a fluidez das secreções vaginais. Este parâmetro
geralmente cai logo depois da ovulação assinalando
o fim do período de impregnação estrogênica
e portanto, a renovação rápida das células
vaginais. A sua medida fornece um valor diagnóstico infelizmente,
muito tardio em criações, porque é mais útil
prever a iminência da ovulação do que estar
diante do ato consumado.
· As fitas reativas que permitem detectar as variações
bioquímicas do muco vaginal são difíceis
devem ser introduzidas profundamente dentro da vagina para evitar
uma contaminação pela urina, o que é difícil.
Os resultados são geralmente imprecisos (a mudança
de cor pode ser observada nos três dias que precedem ou
que se seguem à ovulação) e, portanto, pouco
fiáveis.
· De acordo com as colorações utilizadas,
os esfregaços vaginais permitem visualizar diretamente
a mudança de aspecto das células vaginais, correlacionando-as
com as variações hormonais, principalmente a de
estrógenos. Esta técnica simples e econômica
é atualmente empregada como rotina pelos veterinários
e os criadores para realizar uma primeira estimativa da fase do
ciclo sexual.
A
realização de esfregaço vaginal
Depois de ter examinado o edema vulvar e prendido a comissura
vulvar para baixo, o swab é introduzido verticalmente ao
longo da parede caudal da vagina de forma a evitar ir contra a
fossa clitoridiana. Uma vez atingida a parte superior da vagina,
o swab é girado em posição horizontal e introduzido
o mais longe possível sem forçar. Por meio de movimentos
circulares, as secreções e as células esfoliadas
são então coletadas em torno do colo do útero.
O aspecto do swab é habitualmente vermelho no inicio do
cio, rosado a incolor no final do proestro e purulento em caso
de infecção vaginal ou uterina.
A extremidade do swab é rolada delicadamente numa lâmina
previamente desengordurada, evitando passar duas vezes pelo mesmo
trajeto para evitar criar aglomerados de células.
O material coletado, é então fixado com um fixador
celular para ser entregue ao veterinário em mãos
ou é feita uma coloração para exame imediato.
A interpretação do esfregaço
Além da estimativa do momento da ovulação,
os esfregaços vaginais têm múltiplas indicações.
Depois de uma fuga da cadela ou em caso de suspeita de cruzamento
indesejado, o veterinário pode pesquisar a persistência
eventual de espermatozóides (até seis horas após
o coito). Também podem-se estimar os riscos de fecundação
em função do estágio do ciclo sexual observado.
A titulo de exemplo, se a cadela se encontra nesse momento em
anestro, em começo de proestro ou em metaestro, estes riscos
são mínimos e em qualquer caso menos significativos
do que aqueles associados a um aborto médico precoce de
conveniência.
Durante o período de anestro os esfregaços vaginais
também permitem a adoção de alguns tratamentos
que são contra-indicados durante os períodos de
atividade sexual, tais como a maioria das terapias hormonais.
Finalmente, os esfregaços participam, juntamente com as
dosagens hormonais, do diagnóstico de algumas causas de
infertilidade (cios silenciosos ou anovulatórios, persistência
de um corpo lúteo secretante ou infecção
vaginal).
Por suas indicações, facilidade de execução,
rapidez e baixo custo, os esfregaços vaginas são,
portanto, serviços de grande utilidade em reprodução
canina. Contudo, em alguns casos, quando a interpretação
de um esfregaço causa dúvidas ou não de acordo
com a clinica, ou ainda se o custo de um deslocamento ou de uma
inseminação é significativo, o proprietário
poderá completar esta análise com a ajuda de uma
ferramenta muito precisa, a dosagem da progesterona sangüínea.
· A dosagem da progesterona sangüínea (sinal
da postura ovular): próximo ao período de ovulação
da cadela, a concentração de progesterona no plasma
se eleva normalmente em alguns dias (cinco em média) em
relação ao seu valor de base (menos de 2 nanogramas/ml)
a mais de 40 ng/ml. Esta elevação pode ser mais
ou menos.
Rápida de uma cadela a outra e para uma mesma cadela, de
um ciclo a outro. Se lembrarmos que 80% das cadelas apresentam
secreções por volta do seu 12º dia de cio,
deduzimos que não é raro observar ovulações
mais precoces ou mais tardias, particularmente em algumas raças
predispostas (Dobermann, Pastor Alemão).
Considera-se classicamente que a ovulação ocorreu
quando o nível de progesterona ultrapassa os 15 ng/ml (cuidado
no entanto com as variações ligadas aos métodos
de dosagem dos diferentes laboratórios) e conseqüentemente
a cópula ou a inseminação artificial dever
ocorrer nas próximas 48 horas levando em conta o tempo
de maturação dos ovócitos e de um outro cruzamento
dois dias depois do primeiro.
Este sinal, bastante preciso da libertação de ovócitos
permite não apenas aumentar o índice de sucesso
dos cruzamentos e das inseminações, mas também
a prolificidade. Às vezes ninhadas pouco pequenas em muitos
casos atribuídos à idade da cadela ou a uma libertação
ovocitária insuficiente, estão simplesmente relacionadas
à má escolha da data do acasalamento.
Portanto, a utilização conjunta e judiciosa dos
esfregaços vaginais e das dosagens de progesterona, respeitando
um protocolo preciso, possibilita um acompanhamento do cio bastante
satisfatório e economicamente rentável: aumento
da fertilidade e redução dos deslocamentos inúteis
por cruzamentos improdutivos.