Cuidados
pós-natais/Aleitamento
Uma
precaução importante consiste em dirigir cada recém-nascido
para uma teta quando a mãe não o faz espontaneamente
para que ele possa mamar o colostro (primeiro leite); os anticorpos
protetores que ele contém fornece ao filhote uma imunidade
dita passiva por oposição à imunização
ativa obtida após vacinação ou infeção.
Quando o número de recém nascido é inferior
à previsões radiológicas, uma nova radiografia
abdominal permite localizar o(s) filhote(s) que falta(m) e evita
uma cesariana inútil caso sejam encontrados filhotes no
estômago da mãe. Não é raro que uma
reprodutora ingira os natimortos ao mesmo tempo do que as placentas.
Alguns produtos fitohomeopáticos favorecem o esvaziamento
e a involução uterina. Precauções
de higiene simples permitem prevenir as infecções
ascendentes do útero durante a expulsão dos lóquios
(perdas esverdeadas durante os três dias após o parto).
A utilização sistemática de antibióticos
é uma aberração nos planos econômico,
médico e sanitário. Apresentam o risco não
só de passarem para o leite e intoxicarem os filhotes (malformações
do esmalte dentário para alguns), mas também de
selecionarem germes resistente contra os quais o antibiótico
não poderá agir futuramente.
O
aleitamento
O final do metaestro (período correspondente à gestação
ou a pseudogestação) se caracteriza no plano hormonal
por uma queda da progesterona sangüínea, uma elevação
transitória dos estrógenos, permitindo a dilatação
do colo do útero e um aumento da prolactina, hormônio
que permite a subida do colostro e depois do leite.
Estas variações hormonais são comparáveis
numa cadela gestante e numa cadela não gestante, o que
explica a freqüência de "lactações
nervosas" também chamadas "lactações
de pseudogestação". Este fenômeno é
observado no estado natural nas matilhas de cães selvagens
e se refere essencialmente às cadelas de posição
hierárquica inferior que podem então servir de amas
de leite em caso de problemas de lactação nas cadelas
dominantes. Assim como em muitas outras espécies de mamíferos
a pseudogestação ressalta de forma evidente a importância
do psiquismo no desencadeamento da lactação.
A lactação na cadela
Assim uma cadela que não se sente à vontade na sua
maternidade, contrariada pela escolha do seu ninho ou até
anestesiada por uma cesariana, apresenta um atraso na subida do
leite.
Este problema pode ser tratado modificando as condições
ambientais, através de produtos fito-homeopáticos
ou ainda pela administração de determinados medicamentos
antivômito, que têm uma ação estimuladora
da secreção de prolactina ao nível do sistema
nervoso central.
Uma vez expulsos os primeiros filhotes, a excreção
do leite se auto-mantém por um mecanismo reflexo neuro-hormonal,
a mamada ou a massagem das mamas, que estimulam a secreção
de um outro hormônio, a ocitocina, que por sua vez lança
o leite nos canais galactóforos. Este mecanismo é
proporcional ao numero de filhotes amamentados e permite que a
produção de leite se adapte ao apetite dos filhotes;
estes se tornam de certa forma prioritários em relação
à saúde da mãe.
Produção de leite
O primeiro leite, chamado colostro, é secretado pela mãe
nos dois primeiros dias após o parto. Não tem nem
o aspecto nem a composição do leite clássico.
Na verdade, ele é amarelado e translúcido a ponto
de poder ser confundido com pus.
O colostro é muito mais rico em proteínas do que
o leite: além das suas qualidades nutritivas, ele permite
estimular a primeira defecação dos filhotes e lhes
fornece 95% dos anticorpos (imunoglobulinas) necessários
para a sua proteção contra as infecções.
Assim, a mãe transmite passivamente por este meio a sua
"memória imunológica" aos seus filhotes
por um período de cinco a sete semanas enquanto eles se
tornam por si próprios capazes de se defender das infecções.
COMPOSIÇÃO
MÉDIA DO LEITE DA CADELA
(segundo Cloche, 1987) |
Matéria
seca (g/kg)
|
220
a 250 |
Proteínas
(g) |
55
a 80 |
Gorduras (g)
|
50
a 90 |
Lactose
(g)
|
30
a 40 |
Energia
(kcal)
|
1200
a 1500 |
Matérias
minerais (g)
|
9
a 13 |
Incluindo
cálço (g)
|
1.5
a 3 |
E
fósforo (g) |
1
a 2.5 |
Considerando
um valor energético médio de 1350 kcal/kg de leite
e um rendimento de 80%, o aumento das necessidades energéticas
da cadela pode ser estimado a 3x1350/0,8 = 5000 quilocalorias
suplementares por dia no pico da lactação.
O objetivo prioritário deste período é o
de fornecer à mãe uma alimentação
qualitativa - e quantitativamente satisfatória para que
ela possa suprir as necessidades de crescimento da sua ninhada
sem se enfraquecer ela própria. Para isso é preciso
controlar a adequação da oferta (lactação)
e da demanda (desenvolvimentos dos filhotes).
Em alguns casos, nas raças muito prolíficas como
o Setter irlandês, é muito difícil equilibrar
a ingestão e a demanda, que poder ser de até quatro
vezes as necessidades alimentares de manutenção!
Durante a lactação é importante fornecer
à reprodutora um alimento muito palatável, cuja
densidade energética elevada, lhe permitirá suprir
as suas necessidades energéticas sem representar um volume
indigesto: é difícil imaginar uma cadela acostumada
a consumir 1 kg de alimentação caseira na manutenção
ter que ingerir 4 kg deste mesmo alimento no período de
aleitamento.
Para atingir este objetivo deve-se utilizar para a maioria das
cadelas em aleitamento um alimento hiperdigestivo, que forneça
no mínimo 30% de proteínas, 25% de gorduras (em
relação à matéria seca) e aproximadamente
4500 kcal/kg. É também aconselhável deixar
este alimento em livre consumo durante a lactação,
desde que não haja riscos de alteração ou
de poluição por excrementos.
Composição nutricional de um alimento destinado
a uma cadela em lactação (em relação
à matéria seca):
Proteínas 30 a 35% - Gorduras 20 a 30% - Celulose bruta
1 a 2% - Cálcio 1,5 a 2% - Fósforo 0,9 a 1% - Vitamina
A 10000 Ul/kg - Energia 4200 a 5000 kcal/kg - Relação
proteínas/energia 75 a 85 g/1000 kcal.
Em resumo, na escolha de um alimento de "lactação"
deve-se considerar os seguintes critérios:
· A palatabilidade do alimento: dependendo particularmente
da qualidade e da quantidade das gorduras e das proteínas
de origem animal;
· A alta digestibilidade, que permite uma boa assimilação
da ração num volume razoável (ausência
de dilatações abdominais depois das refeições,
fezes reduzidas e de boa consistência);
· O valor energético elevado que orienta a escolha
para uma alimentação seca;
· A qualidade e a quantidade das proteínas indispensáveis
para o desenvolvimento esquelético e muscular dos filhotes;
· Níveis de cálcio, magnésio e vitamina
D, suficientes para diminuir os riscos de eclâmpsias (crises
convulsivas durante a lactação), principalmente
nas cadelas de raças pequenas com ninhadas numerosas.
O crescimento harmonioso da ninhada representa naturalmente uma
fonte de informação indireta sobre a qualidade da
lactação e portanto sobre a saúde da mãe.
Lembremos que é essencialmente o equilíbrio da formulação
que deverá ser procurado, pois a adição de
qualquer agente corretor a um alimento visando compensar uma eventual
deficiência pode perturbar a absorção simultânea
dos outros componentes. As carências em zinco consecutivas
ao uso indiscriminado de cálcio ou as tetanias de lactação
associadas a suplementações em cálcio anárquicas,
são os exemplos mais freqüentes neste campo da criação
de cães.
Quaisquer que sejam as qualidades do alimento distribuído,
a perda de peso da reprodutora em relação ao seu
"peso ideal" não deve exceder 10% após
um mês de lactação. Este emagrecimento muitas
vezes não pode ser combatido e deverá ser recuperado
no mês seguinte ao desmame dos filhotes.
Aleitamento artificial complementar
Quando a produção de leite das três primeiras
semanas for insuficiente para garantir as necessidades de cada
filhote (freqüente nas primíparas), é aconselhável
fornecer um complemento artificial a toda a ninhada em vez de
retirar um ou dois indivíduos para os alimentar exclusivamente
com um leite artificial.
Aleitamento paliativo
Quando toda a ninhada se encontra privada de leite materno em
caso de morte da mãe, ou ainda caso a sua produção
seja nula (agalactia), insuficiente (hipogalactia) ou tóxica
(mamite), geralmente a utilização de um leite de
substituição adaptado à espécie canina
permite garantir a sobrevivência dos filhotes, neste caso
pode haver um ligeiro atraso de crescimento em relação
à média da sua raça (menos de 10%), que pode
ser freqüentemente recuperado a seguir pelo consumo espontâneo
de uma alimentação de desmame. Como os filhotes
mamam espontaneamente mais de vinte vezes por dia, será
difícil para o proprietário manter este ritmo de
aleitamento. É suficiente alimentá-los a cada três
horas na primeira semana adotando um ritmo regular e respeitando
imperativamente os tempos de sono (mais de 90% do tempo na primeira
semana) indispensáveis aos fenômenos de ligação
e de impregnação.
Embora seja possível para um proprietário "maternizar"
o leite de vaca, a fim de adaptá-lo às necessidades
dos filhotes, a utilização de um substituto do leite
materno em pó se mostra muito mais adaptada, principalmente
graças ao seu fornecimento controlado em lactose.
Além da economia e do ganho de tempo trazidos pelos substitutos
do leite materno, sua apresentação seca diminui
os riscos de diarréias nos filhotes, cuja acidez gástrica
ainda é insuficiente para esterilizar o bolo alimentar
de modo eficaz.
Depois de reconstituição e do aquecimento a 37ºC,
este leite é administrado, seja na mamadeira ou por sonda
(tipo sonda urinaria) em caso de recusa de mamar. Quando o leite
é administrado por via oral com a ajuda de uma seringa,
ele deve ter uma consistência de papa mais espessa para
estimular o reflexo de deglutinação e diminuir assim
os riscos de "falsa via" (passagem para a árvore
respiratória responsável por traqueopneumonia).
ALIMENTAÇÃO
CASEIRA MODELO PARA UMA FÊMEA EM LACTAÇÃOFormula
(em g) para 1220 kcal |
Carne
magra |
450 |
Arroz
cozido
|
400 |
Cenouras
|
150 |
Vagem
|
50 |
Farelo
de osso |
20 |
COMPOSIÇÃO
EM RELAÇÃO À MATÉRIA SECA
|
Proteínas
brutas
|
31% |
Gorduras
|
20% |
Cálcio
|
1.5% |
Fósforo |
1% |
COMO FAZER VOCÊ MESMA O LEITE
DE SUBSTITUIÇÃOExemplo de receita caseira
que permite subtituir transitoriamente a ausência
do leite materno |
Creme de leite
|
270 g |
Creme de leite fresco
|
70 g |
9 ovos sem casca
|
450 g |
1 ovo com casca
|
56 g |
Água mineral
|
154 g |
Total |
1000 g |
Alguns
conceitos permitem avaliar de forma simples a quantidade do substituto
do leite materno a ser fornecido aos filhotes:
· O valor energético de um quilo de leite de cadela
é de aproximadamente 1350 kcal;
· Um filhote precisa de 3 a 4 ml deste leite por grama
de ganho de peso;
· As necessidades calóricas dos filhotes com a mãe
são mais de duas vezes e meio superiores às necessidades
de manutenção de um cão adulto de peso semelhante.
Considerando um filhote de um mês pesando 3 kg (peso adulto
22kg), o seu ganho de peso médio diário é
de aproximadamente 6 gramas por kg de peso adulto estimado, ou
seja, 130 gramas por dia.
Para permitir este ganho de peso este filhote deverá consumir
4 x 130 = 520g de leite por dia, ou seja aproximadamente 0.52
x 1350 = 600kcal.
Adoção por uma fêmea em aleitamento
Para evitar a utilização do aleitamento artificial,
caso se disponha de uma cadela em aleitamento no mesmo estágio
da lactação (ou até em lactação
nervosa), é preferível propor-lhe um filhote em
adoção.
Deve-se esfregar o filhote nos filhotes da mãe adotiva
para impregná-lo com um odor que parece favorecer sua aceitação
pela cadela. Se por um lado durante os dois primeiros dias após
o parto o cão ainda não está especialmente
ligado à mãe, esta, por outro lado, sabe muito bem
reconhecer os seus filhotes.
A partir da terceira semana pode-se oferecer de forma muito progressiva
aos filhotes um alimento de crescimento sob a forma de papa morna
em complemento ao leite materno, cuja produção começa
a diminuir.
Aliás alguns filhotes se dirigem espontaneamente para a
gamela da sua mãe e começam a lamber e imitar o
seu comportamento alimentar.
Assim como no caso dos passarinhos, neste período os filhotes
podem solicitar regurgitações maternas.
O conjunto destas manifestações indica que o desmame
pode começar.