Reprodução

Fertilidade/Infertilidade

Diagnóstico de uma infertilidade feminina

Antes de tratar uma infertilidade numa cadela, é naturalmente necessário discernir muito precisamente a sua origem. A título de exemplo, um acompanhamento regular da progesterona de uma cadela infértil poderá permitir, conjuntamente com outras dosagens hormonais e os resultados do exame clínico, fazer a distinção entre um ciclo ovulatório, uma reabsorção embrionária ligada à involução do corpo lúteo, uma imaturidade sexual, uma impregnação androgênica cujos tratamentos podem ser radicalmente diferentes.

 
Origem
Sintomas
Conseqüências práticas
  Distúrbios hormonais durante o crescimento
Tratamentos contra cios antes da puberdade
Primeiros cios tardios às vezes acompanhado de anomalias do desenvolvimento da estatura e da genitália Excluir da reprodução
Obesidade real Ausência ou cios brandos Começar emagrecimento
Distúrbios hormonais do adulto Perda de pêlos sem crescimento, pele pigmentada, obesidade apatia, sede em excesso Explorações hormonais (tireóide, supra-renais, ovários), eventual tratamento
ANOMALIAS DA PRODUÇÃO DOS ÓVULOS Administração de alguns medicamentos (andrógenos, progestativos, cortisona, anabolizantes)


Sintomas pouco aparentes (às vezes, hipertrofia do clitóris com os andrógenos) Dosar corretamente as indicações e os riscos dos tratamentos hormonais (distúrbios, geralmente irreversíveis)
Envelhecimento
Cisto
Tumor
Baixa da prolificidadeCios anormais(prolongados, ninfo-maníaco) Inatividade Ecografia dos ovários dosagens da hormonais, eventual cirurgia
Afecção ovariana
Insuficiência hormonal
Ausência de cios ou ciclo sem ovulação ou ovulação tardia Esfregaços vaginais, dosagens progesterona estimulação da maturação e da ovulação
ANOMALIAS DO ACASALAMENTO - Lesão da vulva ou da vagina,
- Dor genital ou da articulação
- Predisposição racial
- Agressividade da fêmea
- Indiferença
- Falta de habilidade
- Desproporçãomacho/fêmea
Recusa de cópula Assistência ao acasalamento ou à inseminação artificial
ANOMALIAS DA FECUNDAÇÃO

Má sincronicidade
Ovulação/acasalamento

Acasalamento não fecundado Acompanhamento rigoroso dos cios, ou inseminações repetidas, ou indução artificial da ovulação
Obstáculo à fecundação (infecção) Acasalamento não fecundado Verificar a permeabilidade das vias e ausência de infecção

As causas da infertilidade na cadela

Em todas as espécies, a fertilidade de uma população nunca atinge 100%. A fertilidade máxima nas criações caninas em que as condições de reprodução são ótimas não ultrapassa os 85%. É inclusive aconselhado, para cada reprodutora, deixar passar no mínimo um período de cio a cada dois anos sem utilização na reprodução. Portanto é preciso esperar que uma cadela fique vazia depois de dois períodos de cio consecutivos antes de suspeitar de infertilidade. Sem ter que esperar tanto tempo, o veterinário pode tentar, desde o primeiro fracasso, localizar mais precisamente a causa da infertilidade. Será inicialmente fácil eliminar as causas ligadas ao reprodutor controlando o seu sêmen (realização de vários espermogramas) e a sua descendência recente. Se a infertilidade está objetivamente associada ao macho, existem geralmente poucas chances de recuperação e é então melhor mudar de reprodutor.

Uma vez realizada esta verificação, as causas de infertilidade associadas à fêmea são muito numerosas. Um inquérito aprofundado incluindo o estudo do seu passado (ciclos precedentes), os tratamento que podem ter sido realizados (particularmente hormonais), a data do cruzamento, a forma como ocorreu o cruzamento, a natureza das perdas vulvares, etc., permitirá identificar a causa da infertilidade: perturbações da fecundação, da nidação ou da gestação.

As anomalias da produção de óvulos

Essas anomalias podem:

· estar ligadas a uma ausência ou a um atraso de desenvolvimento dos ovócitos no ovário (perturbação da maturação dos ovócitos). Traduzem-se então por uma ausência de cios, cios discretos (silencioso) ou irregulares;

· ser devido a um bloqueio da liberação dos ovócitos traduzindo-se por vezes por ninfomania (cio permanente ou prolongado);

· ser provocadas por um episódio infeccioso (herpes, viroses etc...) ou, mais raramente, por uma perturbação do comportamento alimentar (déficit do balanço energético);

· associadas à persistência do corpo lúteo precedente que continua a secretar progesterona inibindo assim o desenvolvimento dos folículos seguintes (fenômeno raro na cadela);

· ser conseqüência de tratamentos hormonais (anabolizantes, progestógenos, corticóides) ou de um treinamento esportivo excessivo (excesso de secreção de hormônios masculinos nas cadelas de esporte);

· ser a conseqüência de uma disfunção hormonal (perturbações da tiróide, supra-renais, obesidade).
Sendo a origem destas perturbações na espécie canina essencialmente hormonal, o veterinário deverá completar o seu diagnóstico por dosagens hormonais. É evidente que o tratamento destas perturbações da fertilidade depende de sua origem.

A título de exemplo, não se vai tratar de forma idêntica um impuberismo (ausência de puberdade e uma impregnação androgênica, embora os problemas a serem resolvidos sejam essencialmente idênticos (ausência de maturação folicular).

Os tratamentos utilizam hormônios, seja para estimular as glândulas deficientes, seja para substituir os hormônios insuficientes. O veterinário os utilizará sempre com prudência. A sua administração apresenta o risco de causar a interrupção temporária ou definitiva do funcionamento das glândulas responsáveis pela sua produção natural. A título de exemplo, a utilização de progestógenos numa cadela impúbere, para retardar o aparecimento de seu primeiro cio, pode provocar em seguida um atraso do crescimento e um bloqueio transitório ou completo dos seus ciclos.

Vale então reter que é imperativo se abster de qualquer utilização preventiva ou curativa dos hormônios sem a certeza de um diagnóstico preciso da causa da infertilidade e de só os utilizar depois de ter obtido insucesso com as outras possibilidades de tratamento.

As anomalias da fecundação

A maioria dos fracassos da fecundação é devido a uma má escolha da data do acasalamento ou de inseminação. Depois da exclusão desta causa, o veterinário procurará os eventuais obstáculos ao encontro dos gametas. Uma infecção vaginal, uterina, urinária ou mesmo prostática pode provocar a destruição dos espermatozóides ou perturbar o seu encaminhamento antes da fecundação. Da mesma forma, uma obstrução dos ovidutos (trompas) consecutiva a uma salpingite (inflamação das trompas por exemplo) pode impedir a progressão dos óvulos.

As anomalias da nidação

Uma vez fecundados os óvulos, os ovos sofrem várias divisões mas ficam livres nos cornos uterinos antes de se implantarem na mucosa uterina. Esta deve estar pronta para recebê-los para permitir a formação de placentas e portanto do fornecimento nutritivo necessário ao desenvolvimento dos embriões.

Vários obstáculos (infecção, hiperplasia glandular e cística, etc.) podem perturbar esta etapa. Da mesma forma, o útero de cadelas que têm cios muito próximos uns dos outros não dispõe de um tempo suficiente para retomar a sua forma inicial e não está portanto apto a receber os embriões. Um tratamento com progesterona permite então impor ao útero destas cadelas um descanso de compensação necessário à sua maturação.

Algumas carências alimentares (vitaminas A e E) poderiam intervir nesta etapa, mas geralmente provocam anteriormente sintomas muito mais aparentes e evocados de má nutrição.

As anomalias da gestação

Os primeiros dias do desenvolvimento dos filhotes constituem a embriogênese e correspondem à diferenciação dos seus tecidos. Compreende-se que, durante este período, os fetos sejam especialmente sensíveis a todas as doenças ou a todas as intoxicações que poderiam afetar sua mãe.

Para diminuir estes riscos de mortalidade (reabsorção embrionária, aborto) ou de má formações (teratogênese) é aconselhável se abster de qualquer tratamento medicamentoso durante os vinte primeiros dias de gestação.
Várias outras causas podem igualmente estar na origem de uma interrupção da gestação:

· incompatibilidade genética entre o macho e a fêmea que possuem ambos uma tara recessiva letal tornando os embriões homozigotos não viáveis;

· certas anomalias cromossômicas;

· uns cem números de germes considerados abortivos ou teratogênicos:

- vírus: herpes, vírus da cinomose,
- parasitas: toxoplasmas,
- bactérias: salmonelas, pasteurelas,
- alguns deles assumem proporções epizoóticas tais como a brucelose canina nos Estados Unidos;

· todos os traumatismos, sejam eles físicos ou psicológicos, podem às vezes provocar abortos completos ou parciais (expulsão de uma parte da ninhada e prosseguimento da gestação a termo);

· involução do corpo lúteo que secreta a progesterona, indispensável à cadela durante toda a gestação.