FUNDAMENTOS DA HEREDITARIEDADE
Dr.
Alvin Grossman
"Não existe raça
de cão que se reproduza sem variações"
A
disponibilidade desses registros, pra cientistas qualificados
pra sua análise. É óbvio que a tarefa de
acasalar e criar um grande número de animais representantes
de diversas raças, os registro e a observação
de seus tipos estruturais, e os tipos denunciados na progênie
estão além da capacidade financeira e da capacidade
de qualquer pessoa ou simples instituição. Todavia
tais registros e dados poderiam ser feitos por criadores sem maiores
despesas e pouco trabalho relativamente. Os registros de um determinado
criador poderiam ser enviados para uma agência central,
um laboratório de pesquisas para tabulação
e análise e, em contrapartida, as conclusões resultantes
serem postas a disposição dos criadores.
Quais perguntas relativas a hereditariedade em cães que
os cientistas poderiam responder agora? Já se podem prestar
seguras informações com respeito a várias
coisas tais como diferenças de cor na pelagem, olhos e
pelo na maioria das raças; diferenças em comprimento,
quantidade, textura e distribuição do pelo; diversos
problemas da reprodução, como fertilidade, fecundidade,
a produção de natimortos ou filhotes que não
vingam e condições como monorquidismo; várias
anormalidades e mal formações resultantes da disfunção
no desenvolvimento, com lábio liporino, fenda palatina,
etc; doenças tais como hemofilia e cegueira noturna; diferenças
nas características de orelhas, olhos, narizes, pés
e caudas; diferenças nas dimensões da perna e outras
características ósseas da perna; diferenças
no tamanho e forma da cabeça; e numerosas diferenças
fisiológicas e psicológicas determinantes de padrões
de comportamento típico.
"Condições
ambientais catalizam ou suavizam tendências genéticas"
Já
enfatizamos que muitas das características listadas acima
são influenciadas por genes múltiplos e ou que são
afetadas em vários graus por fatores ambientais. Assim,
as informações disponíveis relativas a muito
desses itens são incompletas, apesar de que, no que respeita
a determinadas características sejam surpreendentemente
vastas. Dia a dia acrescentam-se mais informações,
como resultados da comunicação de pesquisas levadas
a efeito por cientistas em todas as partes do mundo.
ACASALAMENTO CONSANGUÍNEO.
Muitos
criadores praticam o linebreendig, fazendo incursões apenas
pela periferia do inbreeding, o acasalamento com grande consangüinidade,
evitando a sua utilização plena. Como meio de saber
que animais portam os melhores genes, o inbreeding revela, melhor
do que qualquer outro método, os recessivos, como também
aumenta a proximidade genética entre progênie e seus
pais e outros parentes de sorte que o pedigree de um animal, e
os méritos da família á qual pertence sejam
mais confiáveis como indicadores de seus próprios
genes do que no caso de animais sem relacionamento consangüíneo.
É considerável uma consangüinidade para que
a seleção familiar seja de fato eficiente. Como
sabemos, o gene é a unidade da hereditariedade, mas o animal
é a menor unidade que pode ser escolhida ou recusada para
fins de criação. Criar exclusivamente a partir de
um ou dois dos melhores animais disponíveis tende a fixar
suas qualidades, tanto as boas quanto as más. Na realidade
isso que ocorre é o inbreeding. Por outro lado, o criador
cometerá ao menos uns poucos erros par determinar quais
animais apresentam a melhor herança. Assim, num programa
posto em prática, o criador hesitará até
mesmo em usar extensivamente um bom reprodutor.
O criador está muito longe de ser uma autoridade para garantir
quantos filhotes criará uma determinada cadela. Uma parte
desse estoque básico, pode morrer ou vir a ser estéril,
ou ser condenada por uma ampla gama de fatores, por não
apresentar o número de traços que o criador gostaria
que tivesse. Cadelas das quais o criador gostaria de ter um reprodutor,
podem insistentemente produzir só fêmeas de qualidade
por ninhadas a seguir. Conseqüentemente, alguns animais dos
quais não desejava tantos filhotes, acabam por proporcionar
uma progênie muito maior do que aquela proveniente dos cães
que preferia.
O Plano ideal para o mais rápido desenvolvimento da raça
pode apresentar diferenças com respeito ao plano de um
determinado criador exatamente pó ele não querer
se arriscar a uma deterioração do inbreeding. Se
o objetivo for o melhoramento da raça sem pretensões
a produção de cães para exposição,
a história será outra. Vamos abordar detalhadamente
esta faceta.
Como sabemos o inbreeding é o acasalamento de dois animais
com um estreito laço de parentesco. A maioria dos criadores
pratica essa modalidade de criação numa intensidade
limitada, mesmo que a denominem de linebreeding "fechado".
Na realidade um acasalamento de um meio irmão com meia
irmã, como também de sobrinha com tio, ou sobrinho
com tia, é uma forma limitada de inbreeding. Entretanto,
em nossa abordagem, inbreeding será o acasalamento de irmão
com irmã, pai com filha e filho com mãe. A grande
maioria dos criadores consideram estas três modalidades
como as reais representações do inbreeding.
"A
pouca utilização do inbreeding se deve a interesses
comerciais".
Não
é intenção do articulista defender ou condenar
a prática do inbreeding mas sim por em pratos limpos o
que não se pode obter com esta prática. Por outro
lado também é nossa intenção apresentar
fatos conhecidos e dirimir algumas noções errôneas
bastante comuns.
Seria de fato interessante poder conhecer exatamente que percentagem
de inbreeding realmente ocorre em várias raças e
que resultados se obtém. Falando de uma forma geral, podemos
dizer com segurança que apenas um ou dois por cento dos
cães que fecharam campeonato nos últimos dez anos
eram produtos de inbreeding (irmão com irmã, pai
com filha, filho com mãe) e talvez estejamos exagerando.
Assim poder-se-ia concluir que, nesses termos, a prática
que, nesses termos, a prática do inbreeding é relativamente
rara.
Na criação de amimais domésticos, como no
gado, galinhas, etc, bem como no cultivo de plantas, o inbreeding
é considerado como a mais valiosa ferramenta par fixar
um tipo desejado e purificar uma estirpe. As experiências
científicas aí estão para comprovar este
fato. Isso nos leva a levantar a questão por que o inbreeding
não teve uma aceitação mais generalizada
entre criadores de cães. Combinado o inbreeding com seleção
daqueles animais mais próximos do ideal na aparência
e temperamento, pode-se obter rapidamente a almejada estabilidade
do plantel.
"Acasalamento
de irmão com irmã produz queda na vitalidade dos
filhotes"
Acasalando
a progênie de pai com filha ou de filho com mãe de
novo com um dos pais realiza-se o retro-cruzamento. Para ilustrar
este caso, suponha que foi produzido um notável macho,
e a intenção do criador seja obter outro animal
com as mesmas qualidades: o macho é acasalado com sua mãe,
e o criador conserva os melhores filhotes fêmeas da ninhada.
Acasalando estas fêmeas com o tal macho de excelentes qualidades
(retro-cruzamento) há uma boa chance de que alguns filhotes
da ninhada produzida através do retro-cruzamento guarde
semelhança com o tal macho excelente. Ao se efetuar o retro-cruzamento
com um macho de superior qualidade, pode-se topar com alguma degeneração
do inbreeding na progênie, mas isso é improvável,
de acordo com o Dr Ojvind Winge em seu livro "Inheritance
in Dogs".
"Os
maiores efeitos do inbreeding ocorrem nas primeiras gerações".
O acasalamento de irmãos com irmãs tem maiores probabilidades
de produzir degeneração de inbreeding. Os registros
mostram que são muitos contraditórios os resultados
comunicados por criadores que tentaram acasalar irmãos
com irmãs com o intuito de fixar boas características
em seu plantel. Verificar-se-á que o acasalamento de irmão
com irmã tem como conseqüência um decréscimo
na vitalidade e robustez dos filhotes nascidos.
Poder ocorrer que indivíduos anormais ou natimortos são
segregados se genes de debilidades especiais existirem no plantel.
Por outro lado, aquele que não topar com degeneração
por acasalamento de extrema consangüinidade pode se considerar
um felizardo. Tudo dependerá da natureza hereditária
do animal envolvido. A degeneração causada pelo
inbreeding é de natureza tão peculiar que pode ser
totalmente abolida pelo simples acasalamento com um animal sem
elo de parentesco nenhum ou de parentesco afastado. Contudo, se,
se fizer presente, o criador ficará ciente de que ela existe
no mosaico hereditário de seu plantel.
A maioria os estudos sobre inbreeding apresentam um consenso.
O declínio do vigor, inclusive a extinção
de certas estirpes, acompanha de perto o reagrupamento e fixação
(similitude entre indivíduos) de genes recessivos que são,
no conjunto, danosos á raça. Entretanto, juntamente
com a fixação desses recessivos, há também
a fixação dos pares de genes que são benéficos
e desejáveis. É uma questão de sorte qual
tipo de combinação de pares de genes uma família
virá a ter, exceto que a seleção estará
sempre atuante, extirpando combinações que não
sejam adaptáveis às condições de vida.
Há uma crença geral de que o inbreeding provoca
o aparecimento de monstruosidades e defeitos. Provas bastantes
seguras demonstram que por si mesmo o inbreeding não apresentam
uma conexão específica com a produção
de monstruosidades. O inbreeding parece tão somente trazer
à tona características genéticas do plantel
original.
UM
CASO INTERESSANTE
Dentre
as mais interessantes e completas investigações
no acasalamento com extrema consangüinidade de animais podemos
destacar uma série de experiências com cobaias iniciadas
em 1906 pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Selecionaram-se
trinta e cinco saudáveis e vigorosas fêmeas acasalando-as
com igual número de machos selecionados pelas mesmas qualidades.
Os acasalamentos eram numerados e a progênie de cada acasalamento
posta em separado, e então exclusivamente irmão
com irmã. Apenas os dois melhores espécimes de cada
geração eram selecionados para serem usados nas
sucessivas gerações.
Dois incríveis resultados foram à conseqüência
desses acasalamentos de extrema consangüinidade. O primeiro,
que cada família cada vez se parecia mais entre si. Enquanto
isso ocorria, realizava-se uma gradual eliminação
de sub-ramos. Segundo, que se constatou um declínio de
vigor durante os primeiros nove anos, cobrindo cerca de doze gerações.
O declínio atingiu o peso, fertilidade e vitalidade.
No decorrer dos seguintes nove anos de inbreeding, não
mais se constatou, de uma forma geral, um declínio no vigor.
Tal estabilidade significaria que após doze gerações
as famílias haviam se tornado essencialmente uma raça
pura ou seja, não mais diferentes com respeito a muitos
genes. Novas mutações não eram suficientemente
freqüentes para causar qualquer efeito. Não se encontrou
provas da ocorrência da queda de vigor, isoladamente. O
vigor de uma família, em muitos aspectos, era grandemente
independente do seu vigor em outros aspectos. Como resultado do
inbreeding, os membros de cada família vieram a se tornar
extremamente semelhantes entre si no que diz respeito a característica,
cor do pelo, cor dos olhos, e conformação corporal.
Um grupo de pesquisadores calculou os índices teóricos
do aumento de similitude a cada continuação de acasalamento
de irmão com irmã. Os cálculos mais confiáveis
indicam que a redução na proporção
de pares genéticos não semelhantes foi de aproximadamente
19,1 por cento por geração depois da primeira, na
qual a redução foi de 25 por cento. Os índices
são tão rápidos que após dez gerações
de acasalamentos de irmão com irmã, a partir de
espécimes com 50 por cento de semelhança, cerca
de 94 pares de genes são iguais. Assim, o inbreeding apresenta
seus maiores efeitos durante as primeiras gerações
e relativamente pouco efeito além da décima ou décima
segunda gerações.
O EXEMPLO NA CRIAÇÃO DE CÃES
E o que isto tudo tem a ver com a criação de cães?
São óbvias as conclusões, a partir do caso
abordado. O acasalamento com extrema consangüinidade, aliado
à seleção, pode ser usado para fixar traços
desejáveis, nos amimais pra reprodução, em
pouco tempo. Os traços podem ser bons ou serem indesejáveis,
dependendo inteiramente da natureza hereditária dos indivíduos.
O inbreeding nada cria de novo somente intensifica o que já
estava presente. Se a herança genética de um animal
já apresentava traços indesejáveis, eles
naturalmente se manifestarão, quando os genes recessivos
se reagruparem e se fixarem. A mesma condição ocorre
com os traços altamente desejáveis.
"O
inbreeding nada cria de novo, apenas intensifica o que já
existia".
É
sabido que o termo genótipo se refere à constituição
genética de um indivíduo , em contraposição
com a aparência, o indivíduo que se vê, o qual
é chamado fenótipo. Ao selecionar filhotes que permanecerão
no plantel, os criadores tem que acreditar no fenótipo,
porque não há meios de, naquele momento selecionar
o genótipo, que não exibe seu mosaico genético.
O inbreeding pode transformar genótipo e fenótipo
num denominador comum.
Suponhamos que surgiu um animal notável, como produto do
acasalamento consangüíneo. Em termos de criação,
que representa? Significa que aquele animal tem uma maior chance
passar suas características visíveis, do que outras
características não visíveis. Cães
prepotentes, machos e fêmeas, são normalmente aqueles
que são puros para muitas de suas excelentes características.
Uma vez que uma certa dose de inbreeding foi utilizada na maioria
das raças, os indivíduos prepotentes tornaram-se
puros para determinados traços mais ou menos pela sorte,
já que apareceram em todas as raças como produtos
de outcrossing (acasalamento de indivíduos sem laço
de parentesco), bem como por acasalamento em linebreeding (com
parentesco próximo apenas).
Uma vez que o linebreeding, e especialmente o linebreeding "fechado",
é uma forma limitada de inbreeding, os mesmos aspectos
bons e maus deste são válidos para aquele, contudo
num grau muito mais atenuado. A prática do inbreeding parece
estar muito limitada na criação de cães,
pois parece que os criadores preferem optar por um progresso mais
lento, desde que haja um menor risco no que diz respeito a degeneração.
CONCLUSÕES
É
norma corrente que uma matriz de reprodução deva
ser acasalada com consangüinidade afastada ou acasalada com
um cão de linhagem completamente diferente. Feita a cobertura,
nasce a ninhada, os filhotes são carinhosamente, observados
e vão crescendo. Felizmente o acasalamento foi bem escolhido,
e dentre os filhotes resultantes visualizam-se futuros excelentes
cães, todos portando os bons caracteres da mãe,
e evidenciando grandes progressos nos pontos onde eram desejados
aperfeiçoamentos. Entretanto, e se isto na ocorrer? E se
os resultados forem um total desapontamento, sem que nenhum dos
filhotes evidencie algum processo nas qualidades? O criador ficará
a matutar como pode isso ter acontecido, quando se programar aquele
acasalamento, procurou-se levar tudo em consideração.
"O
teste de progênie é a única prova válida
da prepotência de um cão"
Lembra-se
do conceito de dominância? O teste de progênie é
de fato a única prova válida para se determinar
se um cão ou cadela é de fato dominante. E aqui
entra de novo em foco o acasalamento com consangüinidade
(linebreeding), pois quanto mais "fechada" for a consangüinidade
do cão ou da cadela, maiores serão as chances de
um ou outro ser dominante, em contraposição a um
cão ou cadela que não tenha uma consangüinidade
dita "fechada". Ao selecionar um padreador para complementar
os atributos da cadela é importante levar em séria
consideração também as qualidades de seus
pais. Para exemplificar , imaginemos que um padreador seja indicado
para melhorar a cabeça da cadela. É claro que será
escolhido um cão com belíssima cabeça, mas
também será importante que seus pais tenham também
uma cabeça perfeita. O padreador, assim, poderá
ser considerado homozigoto para esta característica. Se
o cão escolhido não tiver pais com belas cabeças,
ou se apenas um dos pais tiver uma bela cabeça, o padreador
é considerado heterozigoto para esta característica
e serão menores as chances de conseguir reproduzi-la. Os
cães e cadelas dominantes são homozigotos para a
maioria de suas características, enquanto que cães
ou cadelas menos dominantes são basicamente heterozigotos
na sua constituição genética.
PRODUTOS DOMINANTES
A grande maioria de cães e cadelas é provavelmente
dominante para alguns de seus atributos e não especialmente
dominante em relação a outros. Caberá ao
criador tentar a conjugação apropriada de características
dominantes, ou seja o porque de um cão e uma cadela se
complementarem mutuamente, ou melhor ainda, a melhor maneira prática
de tentar obter as combinações certas. Existem certos
cães e cadelas que são totalmente não-dominantes
na sua constituição genética quando acasalados
com um animal dominante e , assim, poderão advir bons resultados
desde que este animal dominante seja de qualidade superior. Sob
este aspecto, um grande número de cães e cadelas
de uma determinada raça são tidos como produtores
quando na realidade, tudo fizeram menos de fato produzir. Quando
uma cadela não dominante é acasalada com um padreador
não dominante, a ninhada resultante poderá provocar
desapontamento, Como já se falou antes, quando uma cadela
dominante é acasalada com um padreador dominante, também
é possível que a ninhada seja uma decepção.
Este fato explica porque os "acasalamentos sonhados"
redundam em filhotes que sequer se aproximam dos pais em suas
qualidades.
Há certos padreadores dominantes que, por sua vez, passam
para sua progênie seus atributos que, por sua vez, passa
para as gerações seguintes os atributos adquiridos
etc. Da mesma forma há matrizes dominantes que passam suas
qualidades para suas filhas, netas, bisnetas, etc. Assim, certas
estirpes são notórias pela notável capacidade
de produzir excelentes cães e ou cadelas. Ta estirpe é
de fato uma "linha de sangue" de produção
de alto nível. Para ser mais preciso: uma matriz de reprodução
(normalmente com uma retaguarda de ascendes também produtores
de alto nível) acasalada com um padreador já provado,
normalmente trará ao mundo filhotes com grandes perspectivas
futuras. A tudo isso só se precisará acrescentar
uma outra qualificação, a aplicação
de um certo grau de inteligência do criador.
"Acasalamentos sonhados podem dar filhotes decepcionantes".
Um
assunto permanente nas discussões entre criadores é
qual o pai que mais contribui - o padreador ou a matriz, como
vimos, cada qual contribui com 50% de sua herança genética,
partes iguais, Mas, assim fazendo, seus respectivos fatores de
dominância e recessividade vem à baila. Na realidade,
não existe uma contribuição igual, pois,
se existisse, não haveriam grandes produtores.
A matriz reprodutora é uma entidade muito especial em si
mesma. Aqueles que foram bastante afortunados de ter possuído
uma serão testemunhas do que aqui dizemos. Quando uma cadela
produz campeões, é imediatamente separada e considerada
matriz reprodutora. E ele bem o merece! Não obstante a
produção do garanhão não ter limites,
dependendo exclusivamente de sua popularidade, não ocorre
com ele o mesmo imediato reconhecimento que se dá à
cadela. Muitos cães reprodutores, para ostentar esse título,
tem que gerar centenas e centenas de filhotes. Em média
uma cadela produzirá de vinte a trinta filhotes em toda
sua vida, o que drasticamente limita suas chances de produzir
uma grande número de campeões. Tendo em vista essa
restrição, torna-se evidente que tais cadelas que
reproduzem qualidade devem possuir um atributo acima da média
normal. Em outras palavras. Tal atributo é a dominância.
A cadela reprodutora pode ou não passar as qualidades que
ela mesmo possui. Seus filhos, no entanto, deverão conservar
uma semelhança muito grande entre si, o mesmo ocorrendo
com outras e outras ninhadas, seja qual for o reprodutor. Seja
acasalada com consangüinidade "fechada", seja coberta
por um cão de linhagem totalmente diferente, seja padreada
por um cão de renome ou por um simples desconhecido, qualidade
e tipo aparecerão consistentemente em sua progênie.
Não existe fórmula mágica para prever se
determinada cadela poderá integrar a difícil legião
das reprodutoras. Uma boa chance será sua ascendência:
ser filha, neta e até mesmo bisneta de reprodutoras. Deverá
provir de uma linhagem reconhecidamente geradora de cadelas reprodutoras.
Ocasionalmente uma cadela, não ostentando uma ascendência
de mérito, virá a ser uma notável reprodutora.
Só se pode concluir que tal fêmea tenha herdado uma
configuração genética "diferente"
daquela relativa a seus ancestrais mais imediatos, ou que ainda
o potencial para grande reprodutora sempre tenha estado ali, dormente,
até que um padreador "encantado" o tenha trazido
à tona. São conhecidos os casos de cadelas que só
produziram qualidade com um único reprodutor, e que falharam
com vários outros. Em tais casos, os tão almejados
resultados foram conseguidos através de uma "mistura"
e não por meio de uma dominância do padreador.
A disponibilidade de uma verdadeira cadela reprodutora é
muito limitada. Não obstante os criadores terem à
sua disposição os históricos padreadores
da raça, são poucos os felizardos que conseguem
filhas de consagradas reprodutoras, já que sua progênie
alcança preços elevadíssimos e sempre a demanda
é maior do que a oferta. Isto ocorre porque as filhotes
fêmeas deverão manter a sua famosa continuidade como
geradora de grandes fêmeas reprodutoras.
A boa cadela reprodutora transfere à sua prole um algo
mais, muito especial. Apesar de ser difícil de definir,
este algo mais é traçado geneticamente, assim como
os demais traços de caráter físico. A boa
cadela reprodutora é uma boa mãe, cônscia
porém não fanática, calma e portadora de
um bom temperamento.
Recapitulando tudo o que aqui foi dito acreditamos que o leitor
terá passado uma vista nos ancestrais de sua raça,
terá adquirido os conhecimentos práticos de genética
e chegado à feliz conclusão de que esta no caminho
certo para criar e selecionar os melhores espécimes possíveis
na raça que escolheu.