LAPAROSCOPIA
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LAPAROSCOPIA
Por
definição a laparoscopia corresponde à exploração
da cavidade abdominal por endoscopia.
Durante muito tempo, a única aplicação da
laparoscopia esteve limitada à simples observação
das vísceras abdominais. Progressivamente surgiu a possibilidade
de realizar biópsias de órgãos e depois intervenções
cirúrgicas. Hoje em dia o ato cirúrgico sob endoscopia
é praticado rotineiramente no ser humano e uma de suas
indicações mais freqüentes é a ablação
da vesícula biliar ou colecistectomia. O veterinário
pôde aproveitar amplamente dos avanços tecnológico
e em material endoscópio sendo a cirurgia do aparelho reprodutor
do cão foi a primeira a ser beneficiada.
A ovariectomia da cadela, a vasectomia do cão ou ainda
a ablação de um testículo ectópico
em posição abdominal podem ser realizados sob laparoscopia.
O desenvolvimento de técnicas operatórias pelo serviço
de reprodução animal da Escola Nacional Veterinária
de Alfort, ditas de abordagem única, permite considerar
de forma concreta a laparoscopia na prática corrente nos
carnívoros domésticos.
A piometra
Os sintomas da piometra podem ser discretos se não aparecer
nenhum corrimento purulento na vulva (piometra fechada). Estas
piometras são as mais graves, uma vez que não têm
tendência a drenar espontaneamente devido a principalmente
três motivos:
· o colo do útero está fechado,
· a impregnação por progesterona mantém
o relaxamento do útero como se estivesse grávido,
· a posição horizontal dos cornos uterinos
não facilita a drenagem espontânea.
No plano clínico, as piometras provocam freqüentemente
uma letargia acompanhada de um aumento da sede e da emissão
de urina (poliúria-polidipsia), e este quadro pode se agravar
por uma afecção renal pelas toxinas secretadas.
O veterinário pode confirmar esta suspeita através
de um esfregaço vaginal, palpação abdominal,
exames hematológicos, radiológicos ou ecográficos.
A quantidade de pus acumulado pode ser considerável
(vários litros!)
O tratamento médico utiliza determinados antibióticos
e hormônios (prostaglandinas) que aumentam a contratibilidade
do útero e do colo do útero para facilitar a drenagem.
Infelizmente as indicações deste tratamento estão
reservadas às cadelas capazes de suportá-lo (segundo
o grau de gravidade da piometra) e para as quais o proprietário
pretende conservar um futuro na reprodução. Nos
outros casos, o tratamento cirúrgico (ablação
do útero e do pus que contém) geralmente é
a solução mais indicada para que se possa esperar
uma cura rápida e definitiva.
Os
tumores ovarianos e testiculares
Em termos médicos, um tumor designa simplesmente uma massa
de tecidos, não havendo nenhuma indicação
neste termo da natureza do tumor, que pode ser benigno ou maligno
(canceroso). Entretanto, este termo exclui os quistos ou os abscessos
de natureza líquida ou gordurosa.
Nas cadelas os tumores cancerígenos raramente atingem o
ovário (aproximadamente 1% dos cânceres nesta espécie)
mas são mais difíceis de serem diagnosticados do
que os tumores testiculares, que são mais visíveis
externamente.
A maioria dos tumores ovarianos secreta hormônios que perturbam
os ciclos sexuais da cadela e provocam perdas de pêlos simétricas
e bilatérais atingindo os flancos ou as coxas. Em seguida
este quadro clínico pode se complicar com distensão
abdominal devido a ascite (acúmulo de líquidos na
cavidade abdominal). O diagnóstico pode ser realizado por
coloscopia ou por exame citológico de uma punção
do líquido de ascite.
Quase sempre a visualização destes tumores por radiografia
ou ecografia é muito tardia, uma vez que eles estão
inicialmente escondidos pela bolsa ovariana.
Na ausência de metástases peritoniais prefere-se
a ovariectomia a qualquer outro tipo de terapia anticancerosa.
Os tumores testiculares no macho também não são
muito freqüentes. Mesmo na ausência de dor ou de inchaço
testicular, deve-se suspeitar desta doença em cães
idosos que apresentam perturbações hormonais (síndrome
de feminilização), hipertrofia prostática,
infertilidade ou perda de pêlos de localização
particular. A persistência de um ou dos dois testículos
na posição intra-abdominal predispõe classicamente
a este tipo de tumor em cães idosos.
Mono
e criptorquidia
No início da vida fetal, os testículos e os ovários
se situam na mesma posição abdominal, atrás
dos rins. Ao contrário dos ovários que ficarão
na mesma posição, os testículos normalmente
efetuam, sob a influência de hormônios e a tração
de um cordão (gubernaculum testís), uma migração
em direção ao escroto (bolsa escrotal) passando
pelo anel inguinal. Após a puberdade a posição
externa dos testículos será necessária para
a produção dos espermatozóides, que precisam
de uma temperatura inferior à do corpo.
Contudo esta migração deve ter sido completa nos
dias que se seguem ao nascimento, pois do contrário o anel
inguinal pode se restringir e ficar então muito estreito
para os deixar passar!
A ectopia (mau posicionamento) testicular resultante é
chamada de monorquidia quando afeta apenas um testículo
e criptorquidia quando se refere aos dois. A título de
exemplo, uma criptorquidia inguinal designa uma ectopia dupla
dos testículos que permanecem contudo palpáveis
pelo veterinário na região inguinal.
Entretanto, a estabilização definitiva dos testículos
nas bolsas só é adquirida mais tarde (em média
aos 6 meses) e às vezes os testículos podem voltar
a subir transitoriamente durante este período para a posição
supra inguinal quando de uma exposição ao frio ou
quando o filhote se coloca de costas. O veterinário deve
pesquisar esta anomalia sistematicamente na visita de aquisição
do filhote para poder redigir precocemente um certificado de suspeita,
caso esta não tenha sido notificada no certificado de aquisição
do filhote.
Os tratamentos médicos destinado a estimular a migração
testicular geralmente são decepcionantes, principalmente
quando são administrados tardiamente (após seis
semanas).
A ectopia testicular é encontrada com tal freqüência
na espécie canina, de modo que foi inscrita na lista dos
vícios ditos "redibitórios", podendo levar
a uma anulação da venda quando esta anomalia é
confirmada aos 6 meses de idade. Embora nos monorquídicos
sejam perfeitamente capazes de reproduzir normalmente (ao contrário
dos criptorquídicos), não é aconselhável
deixá-los cruzar porque são suscetíveis de
transmitir este problema a seus descendentes e, além disso,
são julgados inaptos a receberem o certificado.
Enfim, para diminuir os riscos de aparecimento de tumores ou dos
testículos ectópicos, é aconselhável
esterilizar cirurgicamente os animais em média antes dos
6 anos de idade.
As
doenças infecciosas
Várias doenças infecciosas, sejam elas de origem
bacteriana ou viral, podem afetar a reprodução e
são responsáveis por casos de infertilidade, metrites,
abortos ou de mortalidade neonatal.
A maioria das doenças bacterianas que atingem o aparelho
genital são dificilmente diagnosticadas com segurança
porque, embora seja banal isolar germes nas coletas (swab vaginal
ou prepucial por exemplo), por outro lado é muito mais
difícil provar a sua responsabilidade nos sintomas observados.
A sua presença pode resultar de uma contaminação
da coleta pela urina, pelo muco vaginal na fêmea e pelo
líquido prostático no macho.
Em todo caso, corrimentos anormalmente abundantes ao nível
da vulva ou do prepúcio devem ser analisados pelo veterinário
que os irá tratar com anti-sépticos ou antibióticos
apropriados.
Entretanto, estes medicamentos são inativos contra infecções
virais comuns, tais como o herpes canino.
Nicolas
Nudelmann